A categoria máxima da motovelocidade brasileira teve início neste último final de semana, trazendo boas perspectivas para o futuro do esporte.
Não basta mais fazer o "arroz com feijão" para trazer público aos circuitos...
O país parece estar no vértice de um novo “boom” no motociclismo e a Moto1000GP, em minha opinião, começa a refletir um pouco disso. Sempre tive o Moto1000GP como um campeonato bem organizado, e me parece que nesta temporada conseguiram dar um passo adiante na questão comercial/promocional.
Nunca é fácil organizar um campeonato nacional, ainda mais em um país cheio de desafios como o Brasil. Fazer um campeonato de alto nível, como a Stock Car, por exemplo, exige uma disponibilidade significativa de recursos. O que torna imperativo ter parceiros que topem jogar este jogo.
Eu não pude acompanhar o evento in loco, mas, pelo que obtive de informação a respeito, este foi muito positivo em termos gerais. A impressão é que Moto1000GP está crescendo, está ficando mais atrativo.
Eu não pretendo discutir questões esportivas por aqui, até porque já temos bons portais de notícias fazendo isso, mas sim aspectos de gestão, que é um assunto que me fascina neste esporte. Quero colocar a seguir alguns destaques. Então, vamos lá:
1. Equipe oficial Honda: uma grande vitória estratégica da Moto1000GP, pois é a principal equipe de motovelocidade no país. Estão competindo em alto nível há muito tempo e a estrutura é um benchmarking para todas as demais equipes.
2. Eric Granado: por mais que o critiquem por não ter tido a carreira que poderia ter em nível internacional, ele é um grande piloto e é um privilégio tê-lo competindo em pistas brasileiras. Ele agrega muito tanto no aspecto promocional como no aspecto técnico.
3. Jovens pilotos: apesar do grid reduzido da categoria principal, foi muito positivo observar o expressivo número de jovens pilotos no grid — sobretudo se comparado com o que acostumamos a ver nas categorias de 1000cc pelo Brasil, em que a presença de pilotos de final de semana é predominante.
Isto deixa o campeonato com uma cara mais profissional e atrativa aos olhos do público — como também é legal observar que a estrutura de formação de pilotos no país está "rodando".
4. Moto4 e R3 Cup: quanto mais categorias de base, melhor. Muito positivo também o intercâmbio com jovens pilotos e profissionais de outros países.
5. Casa cheia: segundo os organizadores, o evento teve público recorde de 20.000 pessoas. É um sinal de que as coisas estão indo bem, com perspectiva de números maiores no futuro. Como afirmei no começo do artigo, não estive presente no evento, mas, pelas imagens que tive acesso, pude notar a preocupação dos organizadores em oferecer um ambiente mais atrativo para o público.
Não dá mais para fazer o "arroz com feijão" que alguns promotores ainda insistem em fazer.
6. Marcas não presentes: Ducati e Suzuki aparentemente não estarão no grid este ano. Em paralelo, algumas marcas participam com 1 ou 2 motos também, o que não é ideal.
Seria sensacional ter os 6 modelos de superbikes disponíveis no Brasil competindo em igual número na pista. De fato, existem questões técnicas e financeiras que pesam a favor e contra alguns modelos, mas se todas as marcas se organizarem pensando no esporte e nos benefícios que poderiam ter a partir disso, acredito que teremos um grid de alto nível – comparado ao britânico ou japonês de motovelocidade.
7. Patrocinadores do setor 2 rodas: não há muitos patrocinadores de fora do segmento, tanto por parte dos organizadores como das equipes. Não é uma crítica aos organizadores, inclusive é um problema que a própria MotoGP enfrenta em certa medida, mas o fato é que furar esta bolha significa aumentar exponencialmente a base de fãs, o que é fundamental para o crescimento a longo prazo.
8. Criação de conteúdo: olhando para o passado da Moto1000GP, observa-se que progressos estão sendo feitos nesta área crítica para promoção do evento. Está cada vez mais fácil acompanhar o campeonato.
Todavia, sinto falta de explorarem mais os personagens, as histórias e os bastidores que são tão ou às vezes até mais interessantes que as corridas em si. O grande público vai se conectar com a modalidade por aí.
Em resumo, o campeonato me parece estar em uma rota de crescimento sólido, inclusive com alguns fatores externos soprando a favor. O efeito Diogo Moreira, o GP de Goiânia e a própria chegada de novas marcas de motocicletas no mercado podem ser fatores importantes no crescimento da base de fãs e praticantes da motovelocidade nos anos vindouros.
Nunca é fácil organizar um campeonato nacional, ainda mais em um país cheio de desafios como o Brasil. Fazer um campeonato de alto nível, como a Stock Car, por exemplo, exige uma disponibilidade significativa de recursos. O que torna imperativo ter parceiros que topem jogar este jogo.
Eu não pude acompanhar o evento in loco, mas, pelo que obtive de informação a respeito, este foi muito positivo em termos gerais. A impressão é que Moto1000GP está crescendo, está ficando mais atrativo.
Eu não pretendo discutir questões esportivas por aqui, até porque já temos bons portais de notícias fazendo isso, mas sim aspectos de gestão, que é um assunto que me fascina neste esporte. Quero colocar a seguir alguns destaques. Então, vamos lá:
1. Equipe oficial Honda: uma grande vitória estratégica da Moto1000GP, pois é a principal equipe de motovelocidade no país. Estão competindo em alto nível há muito tempo e a estrutura é um benchmarking para todas as demais equipes.
2. Eric Granado: por mais que o critiquem por não ter tido a carreira que poderia ter em nível internacional, ele é um grande piloto e é um privilégio tê-lo competindo em pistas brasileiras. Ele agrega muito tanto no aspecto promocional como no aspecto técnico.
3. Jovens pilotos: apesar do grid reduzido da categoria principal, foi muito positivo observar o expressivo número de jovens pilotos no grid — sobretudo se comparado com o que acostumamos a ver nas categorias de 1000cc pelo Brasil, em que a presença de pilotos de final de semana é predominante.
Isto deixa o campeonato com uma cara mais profissional e atrativa aos olhos do público — como também é legal observar que a estrutura de formação de pilotos no país está "rodando".
4. Moto4 e R3 Cup: quanto mais categorias de base, melhor. Muito positivo também o intercâmbio com jovens pilotos e profissionais de outros países.
5. Casa cheia: segundo os organizadores, o evento teve público recorde de 20.000 pessoas. É um sinal de que as coisas estão indo bem, com perspectiva de números maiores no futuro. Como afirmei no começo do artigo, não estive presente no evento, mas, pelas imagens que tive acesso, pude notar a preocupação dos organizadores em oferecer um ambiente mais atrativo para o público.
Não dá mais para fazer o "arroz com feijão" que alguns promotores ainda insistem em fazer.
6. Marcas não presentes: Ducati e Suzuki aparentemente não estarão no grid este ano. Em paralelo, algumas marcas participam com 1 ou 2 motos também, o que não é ideal.
Seria sensacional ter os 6 modelos de superbikes disponíveis no Brasil competindo em igual número na pista. De fato, existem questões técnicas e financeiras que pesam a favor e contra alguns modelos, mas se todas as marcas se organizarem pensando no esporte e nos benefícios que poderiam ter a partir disso, acredito que teremos um grid de alto nível – comparado ao britânico ou japonês de motovelocidade.
7. Patrocinadores do setor 2 rodas: não há muitos patrocinadores de fora do segmento, tanto por parte dos organizadores como das equipes. Não é uma crítica aos organizadores, inclusive é um problema que a própria MotoGP enfrenta em certa medida, mas o fato é que furar esta bolha significa aumentar exponencialmente a base de fãs, o que é fundamental para o crescimento a longo prazo.
8. Criação de conteúdo: olhando para o passado da Moto1000GP, observa-se que progressos estão sendo feitos nesta área crítica para promoção do evento. Está cada vez mais fácil acompanhar o campeonato.
Todavia, sinto falta de explorarem mais os personagens, as histórias e os bastidores que são tão ou às vezes até mais interessantes que as corridas em si. O grande público vai se conectar com a modalidade por aí.
Em resumo, o campeonato me parece estar em uma rota de crescimento sólido, inclusive com alguns fatores externos soprando a favor. O efeito Diogo Moreira, o GP de Goiânia e a própria chegada de novas marcas de motocicletas no mercado podem ser fatores importantes no crescimento da base de fãs e praticantes da motovelocidade nos anos vindouros.
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