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Entre expectativas de crescimento comercial e preocupações com tradições, a única certeza é de que a MotoGP precisa se reinventar.


A MotoGP ainda não conseguiu repor um personagem tão midiático como Valentino Rossi.


Muito se tem especulado sobre como será a MotoGP sob a gestão do grupo Liberty Media e as primeiras respostas vieram em uma apresentação feita durante a etapa da Tailândia. Resumidamente, a ideia é seguir por um caminho similar ao da Fórmula 1, explorando mais o lado entretenimento.

Como em toda transição, temos aqueles que veem com bons olhos e outros que não. Todavia, é fato que a MotoGP passa por um momento de estagnação comercial e algo precisa ser feito, até pela própria sobrevivência do esporte.

Observando o trabalho que a Liberty Media tem feito com a Fórmula 1, a impressão é que eles tenham um alcance mercadológico e know-how em entretenimento que a Dorna parece não ter, considerando as dificuldades enfrentadas nos últimos anos.

Como vários grandes eventos que temos hoje, a MotoGP está mais para um negócio de entretenimento do que para uma atividade esportiva pura e simples. Existe muito dinheiro envolvido e uma competição feroz pela atenção e recursos dos “consumidores”.

Deve-se considerar também que o mundo mudou bastante de algumas décadas para cá. Novas tecnologias, como a internet, provocaram mudanças relevantes no estilo de vida das pessoas e, por consequência, de como elas interagem com esportes. O arroz e feijão de outrora já não é mais tão eficiente como foi no passado. O jogo da promoção de grandes eventos mudou.

Particularmente, acredito que veremos a MotoGP crescer bastante nos próximos anos e minha percepção é que este crescimento se dará por estes fatores: 

 1. Maior exploração da imagem dos pilotos e figuras relevantes do paddock 

Mesmo dentro da Espanha, os grandes pilotos da categoria não possuem o reconhecimento que se espera de um atleta de nível mundial. 


2. Ampliação da base geográfica e rejuvenescimento da base de fãs

Apesar de a categoria ser popular na Ásia, ainda está muito concentrada na Espanha e na Itália. Outro desafio é renovar a base de fãs, tendo uma geração jovem mais identificada com eletrônicos e redes sociais.


3. Atração de novos patrocinadores

Faltam grandes patrocinadores globais e de setores fora do segmento motociclistico. Outro ponto que chama a atenção é o de equipes como a Aprilia, que permanecem sem patrocinador principal até hoje. 


4. Redução do número de espanhóis e italianos no grid

É uma questão delicada (talento x marketing), mas uma situação que impacta diretamente na estrutura econômica da MotoGP.  A Dorna promoveu iniciativas para facilitar a entrada de pilotos de outros países na categoria e isto deve se intensificar com a nova gestão.


5. Redução de etapas na Espanha e busca por novas praças

Por ser um campeonato mundial, espera-se uma diversidade maior de países no calendário. Além disso, trata-se de uma tremenda vantagem para os pilotos espanhóis.


6. Mudanças para pistas com melhor estrutura local e logística facilitada.

Phillip Island caiu por ter localização remota e estrutura precária. O plano para as próximas temporadas é realizar provas em locais mais próximos a centros urbanos e com melhor infraestrutura logística.


Existem também outras questões em discussão, como a criação de um "pacto da concórdia" entre o MotoGP Sports Entertainment Group (Liberty Media) e construtores, que moldará significadamente a estrutura economica da categoria.

Enfim, é uma nova fase que se inicia, com grandes oportunidades, mas grandes desafios também. Existem tradições e legados dos antigos proprietários que muitos esperam que sejam respeitados em alguma medida, mantendo assim o espírito deste esporte. Um equilíbrio entre as tradições esportivas e as exigências de mercado deve ser alcançado para a categoria ter um futuro próspero. 

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