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Box do Peter Hickman no Ulster GP 2018 - Correr na rua não é para qualquer um não...


As motocicletas entraram na minha vida meio por acaso. Logo depois de me formar na faculdade, eu estava naquela fase muito “divertida” em que a gente descobre que diploma não vem acompanhado de emprego, salário e plano de carreira.

Meu sonho era trabalhar com automobilismo. Tentei seguir esse caminho, não consegui e acabei em uma importadora de motocicletas. Ainda bem. Foi ali que descobri como é legal andar de moto e aprendi que, às vezes, os melhores caminhos são aqueles que não estavam no planejamento.

As motos me apresentaram pessoas incríveis, grandes experiências profissionais e a realização de alguns sonhos também.

Passei muitos anos trabalhando no segmento de motocicletas premium, com oficinas, peças, importação, competições e outras atividades. Tive contato com motos exóticas, profissionais renomados e um lado da indústria que nem todo mundo tem a oportunidade de conhecer.

Acredito que tive uma trajetória privilegiada, mas nem tudo foram motos bonitas e ferramentas caras. Também enfrentei situações difíceis e conheci gente de todos os tipos.

E neste balaio de experiências, uma coisa sempre me incomodou: havia gente correta, dedicada e tecnicamente competente que não chegava perto do próprio potencial. Às vezes, faltavam oportunidades. Em outras, faltava uma formação que ia além da mecânica ou área correlata.

Vi pessoas passarem anos mudando de emprego sem realmente conseguir avançar, ou mesmo, se desiludindo com a profissão. Era meio triste de ver isso, até porque, com um pouco mais de conhecimento e orientação a vida destas pessoas poderia ser totalmente diferente.

Ainda existe quem veja a mecânica de motocicletas como uma profissão menor ou uma alternativa para quem não teve outras oportunidades. Todavia, penso diferente - é possível construir uma carreira respeitada, interessante e financeiramente sustentável nesse mercado.

Existe uma diferença enorme entre saber desmontar uma motocicleta e construir uma trajetória profissional sólida. Conhecimento técnico é indispensável, mas gestão, atendimento, finanças, comunicação e postura profissional também fazem parte do jogo.

Isso vale para quem está começando, para o mecânico que sonha em trabalhar com motos premium e para quem pretende abrir ou desenvolver o próprio negócio. Afinal, gostar de motocicletas é um ótimo começo, mas paixão, sozinha, não paga as contas.


E por que criei o Motopraxia?

Sendo bem direto, minha ideia com este blog é justamente poder compartilhar minhas experiências profissionais com aquelas pessoas que tem vontade de trabalhar no segmento premium, seja um jovem em início de carreira ou um profissional que esteja em busca de um upgrade profissional.

Eu não sou o “pica das galáxias”, muito menos o dono da verdade. Acertei algumas coisas, errei várias e tive experiências que talvez possam ser úteis para outras pessoas. Minha intenção é compartilhar conhecimentos, histórias e reflexões de maneira simples, acessível e sem grandes pretensões.

Se algum texto ajudar alguém a evitar um erro, encontrar uma oportunidade ou enxergar a profissão de outra maneira, o Motopraxia já terá cumprido seu papel.

E, se no meio disso tudo ainda der para conversar sobre corridas, viagens e a vida, melhor ainda.

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